quinta-feira, janeiro 25, 2007

Faz frio lá fora...

No topo do Mundo...





Apesar do frio intenso, que começa a sentir-se lá fora, convidando a um bom chocolate quente ou a um chá, em casa, não posso deixar de me sentir atraido pelos extremos...

Um exemplo, é o desta fotografia, quem não gostaria de aqui estar, nem que fosse por breves momentos?...

domingo, janeiro 21, 2007

As Palavras...

Gostava de escrever algo alegre... Algo que podesse voar um dia destes pelos céus, sem limites, sem horizontes nem linhas a que tivesse que obedecer...

No entanto, o meu interior é um misto de alegria e tristeza, um misto que tenho tentado combater, que penso ser, se calhar erradamente, apenas um dos lados destes dois sentimentos, um poema, uma quadra a que obedecer, escutar e ler, para depois então conseguir-me emocionar e olhar de verdade para o céu...

Recordo-me, de ter lido numa obra de Ruben Alves, que escrita feita por apaixonados, não é boa escrita, para que o seja, não pode ter aquela centelha da paixão, para que não influencie a mesma. Penso nisto por vezes, ao analisar o que escrevo, se o que escrevo estará ou não apenas influenciado por uma paixão, não tendo assim qualquer valor crítico ou de juizo acerca das questões a que tento dar atenção. Faço-o, como qualquer pessoa faz uma auto-avaliação ao seu trabalho. Se temos «brio» no que fazemos, é inegável que este processo tenha que acontecer, e assim também eu o faço com a minha escrita.

Não será isto, apenas uma parte da verdade? Esta análise feita pelo Ruben Alves? Se eu considero, serem os seus melhores escritos, tudo que foi feito na ponta da paixão, então porque dirá ele isto?

Acho, que inicialmente, deveríamos esclarecer a noção de paixão. Esta pode, como sabem existir sobre muitas formas, e a mais comum, a que todos nós inconscientemente pensamos em primeiro lugar, é a de um homem por uma mulher. Mas, existem outras paixões, podem ser as que temos sobre um assunto, sobre uma profissão, sobre um determinado acontecimento na nossa vida, ou simplesmente, uma paixão desinteressada. Chamo a uma paixão desinteressada, aquela que temos sobre tudo que nos rodeia, sobre todos a quem olhamos, sobre todos os pequeninos seres que sabemos estar ao nosso redor, e nessa altura sentimos felicidade por estarmos vivos, por podermos acordar e olhar para todas estas pequenas maravilhas, estes pequenos milagres que acontecem todos os dias ao nosso redor: seja uma imagem repentina de uma borboleta a esvoaçar delicadamente pelo ar, seja o ondular do mar, rebentado delicadamente no nosso interior, seja um sorriso inesperado que vemos no rosto de alguém, ou uma lágrima escorrendo pelas faces, teimosa.

Nestas alturas sentimos Amor, sentimos essa paixão a que chamo de desinteressada, a que acontece sem que queiramos nada de volta em troca. Apenas essa energia, nos faz impelir em frente, nos faz crescer um pouco mais, e é nesta altura que se escreve melhor...

Será então correcto, dizer que escrever sobre a influência da paixão é errado? Penso que não... Existem, várias formas de escrever também, existe escrita «séria», discursos, comentários, análises, relatórios, enfim todo esse tipo de escrita, e essa concordo que tem que ser analítica, concisa, sem paixão. Mas e aquela escrita, que nos faz querer sonhar, nos faz querer recordar a vida, nos faz sentir vivos? Essa tem que ter paixão, tem que ter essa paixão desinteressada, tem que ter centelha, pois senão não se torna sincera, honesta... Muitas pessoas, tomam sentimentos como uma «má» influência ao nosso discernimento, à nossa capacidade de julgar e tomar decisões, mas não é assim. Esta escrita precisa desses sentimentos, precisa deles para que possa relatar a vida, em todo o seu potencial, em toda a sua força, em tudo aquilo que nos pode dar e oferecer. Mesmo a escrita que é feita sobre a influência de uma paixão por uma mulher, ou alguém a quem amemos muito mesmo, pode ser boa, pois diz aquilo que sentimos, e em última análise, qualquer escrita que seja sincera e honesta, é boa.

Pode-se dizer que é uma visão demasiado optimista do mundo, muitos poderão mesmo dizer «irreal», mas não concordo... À uns tempos atrás, uma pessoa amiga, falou-me muito do modo como, um outro grande apaixonado pela vida, que é Vinicius de Moraes, a levou. O modo como procurou incessantemente a vida, as pessoas. Isso é paixão desinteressada... Olhando para qualquer um deles, vejo que todos a tiveram, que todos a souberam reconhecer e, mais importante que tudo, souberam admiti-la, viver com ela e deixaram que esta os guiasse. Não pensem, novamente, apenas naquela paixão por uma mulher... Leiam uma obra fabulosa do Ruben Alves, que é a ‘Teologia do Quotidiano’ e verão esta paixão a acontecer, leiam muitos dos versos do Vinicius e verão esta paixão a acontecer...

Pois como incluir então a tristeza nisto tudo? Pois, esse é o passo que a mim pessoalmente, faltava dar... Dentro desse misto que falei à pouco, encontram-se as palavras que fazem sonhar, os deuses que nos fazem amar, nos fazem Crescer e querer então voar pelo céu sem medos.

Podemos sempre cair, neste voo, mas quando isso acontece, logo novo parágrafo aparece para nos salvar, cavalgando pelos campos deste mundo, buscando todos os Moinhos que nele estão espalhados, para que novos ventos nos façam apenas querer soprar...

É neste misto, que podemos também escrever, é neste misto que o papél e a tinta, verdadeiramente se conhecem, se fazem entoar maiores que os Moinhos. Sorrir e chorar... Por cada lágrima, o céu sorri ao olhar para nós, e por cada sorriso, os mares choram por nós...

Podemos então escrever, e escrever bem, sobre sentimentos, com sentimentos, e fazermos nascer palavras que façam sonhar, viver...





As paixões... Que misto de beleza, a não perder...





"Amanhã – qual será o meu fado?

Mágoa, cuidados e pouco que me contente,

A cabeça pesada, o vinho derramado –

Tens é de viver, meu belo presente!



Se o tempo num voo acelerado

Altera o eterno dançar que é seu

Desta taça o grande trago

É e será sempre meu.



O fogo do meu jovem coração

Mantém-se bem aceso nestes dias.

Morte, aqui tens a minha mão,

Será que a levar-me te atreverías?”

‘Belo Presente’ de Herman Hesse, em ‘Da Felicidade’, Difel: Difusão Editorial, SA

sexta-feira, janeiro 19, 2007

«Downtime»...

" System Downtime

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I apologise about the system being partially down at the moment. I've been working on it for several hours, and the user transition isn't going as smoothly as hoped. Rest assured that your data is safe if it was before the system went down though, and it'll be back with even higher performance shortly.

Please don't re-sign up if you can't access your files - we'll get it all up again soon. This should be the last bit of downtime before we go fully live with the new kit, and we apologise for the downtime we've encountered - we've had to do some massive expansion to cope with the influx of users, and it's been a bumpy ride, but it's all down to you guys spreading the word about us - so thank you! In future when we need to expand, it'll be a much less bumpy ride, as we've got the code in there now to add servers as and when we need to.

Thanks again for being patient with us - we're doing our best to get the service fully operational again, and we should have a much better, bigger Snapdrive when we're done!

Myself or Snap will post on here as soon as the newly rebuilt server goes online!

- Micro "



As minhas sinceras desculpas pela situação, provocando esta pequena «desarrumação» nas Imagens...

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Medo...

Respiro fundo... Olho para o ecrãn e penso na noite que tive ontem, em tudo que se passou comigo nos últimos meses, no turbilhão implacável que gira incessantemente dentro da minha cabeça.

As palavras, são pequenas, minúsculos pontinhos numa negridão imensa, para descrever o que sinto, aquilo que estou a passar neste momento... São tantas as questões, tantas as incertezas, tantos os receios e os medos que povoam o meu interior... Esta faceta minha, este meu lado negro, que anteriormente na minha vida nunca tinha sido maior que a luz, mas hoje, já não penso assim...

A batalha que estou a travar é terrível, é demasiado angustiante, tem levado todas as minhas forças para um lugar escuro, para um lugar negro, onde cada vez mais, sinto não ter forças para voltar. Tive uma noite terrível, ontem, para juntar às demais; mas ontem foi diferente, pois aconteceu algo que me deixou com medo, me assustou mesmo muito.

Quem me conhece, pessoalmente, sabe que sempre fui uma pessoa optimista, que sempre acreditei em dar a outra face, em olhar apenas para o lado bom das coisas, estimar ao máximo esta dádiva de vida que temos, que nos foi dada a todos nós. Sempre acreditei que o Bem, tira e dá, mas sempre fazendo-o com um sorriso no rosto, sem deixar que a luz nos abandone. Ontem, não foi assim...

Tive muitos momentos negros na minha vida, o meu passado foi recheado com eles, mas a vontade em lutar, em querer a luz, foi sempre maior que tudo isso, fez-me sempre acabar por tomar (em extremos, é certo) as decisões certas, que me fizeram apontar na direcção a tomar. Sempre acreditei no Destino, que este é parte desse Bem, é parte desse Amor maior em que acredito, ser a verdadeira maneira de viver esta vida. Quem acredita nisto, com toda a força da alma, como eu, sabe um pouco do que falo, sabe dessa vontade constante em querer o bem, em querer olhar lá para fora e sorrir, querer abraçar tudo e todos. Mas ontem, não foi assim, por momentos...

O desespero veio, tal como já tinha vindo em tantas outras noites, o choro, os porquês, o não perceber alguns deles, o não perceber como sentimentos, tão puros podem ser ignorados, deitados fora, para o lixo, como se nada fossem ou valessem, mas foi sempre algo com que consegui lutar; esse Amor imenso que sinto, é certo que me deitou pelo chão, mas também me fez sempre regressar, querer continuar e olhar de novo para a luz, em tantas outras noites, destes últimos meses, como também em todos esses anos passados. Ontem, no entanto não aconteceu desse modo; entrei na escuridão e Quis lá ficar, pela primeira vez, desejei sinceramente lá ficar e não regressar, e senti algo acontecer... Não sei o que foi, um chamamento, uma porta que abriu algo, que ainda não sei o que foi... Encontrei pela primeira vez, Paz, verdadeira paz nessa escuridão, e não quis mesmo regressar... A luz incomodova-me, só de pensar que a tería que olhar, a minha vontade tremia, os meus olhos enchiam-se ainda mais de lágrimas...

Assustei-me... Tive medo, quando por fim, consegui regressar de novo, quando por fim abraçei de novo a luz. Pela primeira vez na minha vida, desejei realmente não viver... Foi algo sincero, algo honesto, maior que tudo o mais... Como pode isto acontecer? Como pode a escuridão ser maior e melhor que a Luz? Não pode... A luta que travo, é maior que tudo, pois sei agora ser uma luta pela vida. Sinto o fim próximo, dizem que quando ele aparece, toda a nossa infância, todos os nossos verdadeiros desejos, todas as palavras que não foram ditas, tudo que não aconteceu e aconteceu passa pela nossa frente, pois, é isso que me está a acontecer neste momento; o fim, que anda numa corda bamba, onde por vezes um vento me empurra em frente na corda, mas logo tremo de novo, quase a cair para o abismo. Sei que ninguém acredita nestas coisas, hoje em dia, mas são reais, são coisas que acontecem, o amar eternamente, o desejar eternamente bem... Não é nenhuma utopia, nenhuma alucinação, nenhuma miragem, ou desejo inconsciente do nosso cerebro. Ontem, pela primeira vez, vi o verdadeiro negro, o verdadeiro escuro, e quis lá ficar... Como vou continuar a lutar? Como vou continuar esta batalha? Não sei responder, apenas sei, que irá continuar, e neste momento esse é o meu único alento...

Por favor, não interpretem isto de um modo religioso, pois não é nada disso. É algo maior que tudo isso, algo bom e mau ao mesmo tempo, mas acredito ser sempre bom... Será talvez isso, que me salve, pois o meu interior é feito disso, nada mais; ontem terá sido uma fraqueza minha, talvez...

Portem-se bem, e por favor, sorriam e desculpem este desabafo, feito aqui...

sábado, janeiro 06, 2007

Uma Pequena Homenagem...

Não posso deixar de fazer esta pequena homenagem, primeiro a um desporto que adoro, segundo, aos portugueses que participam e apoiam este evento.







Hoje, primeiro dia do Dakar, assistimos a uma verdadeira chuva de estrelas, nos nossos pilotos: uns merecidos parabéns ao Carlos Sousa e Ruben Faria, justos vencedores nas categorias de carros e motos; à enorme massa de espectadores (fala-se em números na ordem dos 400 mil) que foram apoiar o evento, mostrando de modo geral, ordeiro e exuberante, emoções ao rubro; como sempre, e para quem acompanhou de perto estes eventos, os excessos existiram (desrespeito pelas zonas de segurança) e alguma falta de desportivismo (pedras atiradas a um concorrente).

Pessoalmente, na minha adolescência, participei da organização de um evento todo-o-terreno e como espectador, do rally de Portugal quando este terminava na minha zona (altura em que este rally contava para o Campeonato Mundial e de domínio dos Lancia Delta Integrale, lembram-se destas máquinas?) e sei um pouco do que envolve não só a logística da realização de um evento, mas também as sensações que temos, como apoiantes deste desporto, e como participantes dele.

Que amanhã tudo corra pelo melhor, para nós portugueses, para o público (que respeite a sua segurança e a dos outros) e também a todos os participantes, pois nestes eventos, todos são iguais...

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Novos Ventos...

Quase que é um novo começo... As memórias do primeiro post que coloquei, estão tão ainda ao virar da esquina; os motivos que me levaram a começar a construir este pequenino sítio, estão ainda tão presentes, mas ao mesmo tempo estão mais maduros, foram crescendo, devagarinho, e o que começou por ser um «escape» é agora um espelho da minha alma, da minha maneira de ser e de olhar para este mundo.

Olhando agora para ele, este pequenino sítio, representa para mim muito, pois, significa a perca de muitos dos meus medos, e consequentemente, do próprio medo de me mostrar ao mundo como sou...

Deixo-vos com o meu primeiro, segundo post, neste mundo de Imagens, sentidos e sentimentos...





Seja assim, que todos nós continuemos a olhar para o mundo, Sara, minha sobrinha





Deixo o tempo repousar...



Descansar num sonho colorido com o momento de um futuro sem

destino a aguardar...



Descanso minha voz, simplesmente deixando-te estar, deixando teu

silêncio nos guiar...



Abro meus sentidos,



penetro no sentimento carregado na eternidade de teu olhar, onde

adormeço, seguro nas águas calmas que compõem a suavidade

do teu abraçar......

domingo, dezembro 31, 2006

Final de Ano? Não, um momento para pensar...

Finda um ano. Tenho 31 anos, feitos à questão de 2 dias, e até hoje nunca senti necessidade de «rever» um ano, de olhar para trás e pensar em tudo que aconteceu ou deixou de acontecer na minha vida.

Até hoje, a minha vida fora um mero «descrever?» de coisas que acontecem naturalmente, sem questões, sem preocupações, e principalmente, sem significado, sem sofrimento ou dôr.

Tive no meu passado, alguns momentos negros, decisões dificeis, decisões erradas, actos que ficaram por fazer, actos de coragem abafados por falta de confiança, por falta de sofrimento, por falta de algo que me empurrasse na direcção certa.

Tomei no passado decisões correctas, e muitas erradas, de certo modo quase inconscientemente, pois na maioria das vezes, o resultado dessas decisões nunca era na realidade o que pretendia... Isso é algo que abafei durante muito tempo, as emoções, os sentimentos, a coragem de falar sem ter medo de o fazer, de admitir o que sinto, o que penso.

Foi uma viagem iniciada à uns anos atrás, uma viagem que como todas teve interrupções, paragens inconscientes, que me faziam por vezes voltar atrás alguns quilómetros na estrada, mas foi uma viagem que iniciei quase de modo inconsciente, foram decisões que simplesmente, aconteceram, que nunca me trouxeram nada mais senão sorrisos.

Dizem que sem sofrimento nunca teremos a real medida das coisas, e foi exactamente isso que me faltava, e tão importante como isso, ter consciência do que estava a acontecer, poder extrapolar e falar disso sem medo.

Este ano, foi o que me trouxe: consciência... O despertar e intensificar de desejos e anseios muito, mas mesmo muito fortes que tenho dentro de mim, quase sufocantes, que me deixam sem margem de manobra para absolutamente mais nada...

Muito aconteceu, foi um ano que, olhando para trás, parece que aconteceu em dias, e não meses, onde tudo está tão vivo, ou mais ainda, do que no dia em que aconteceu. Existem muitos tipos de acontecimentos, aqueles que perduram na memória como algo volátil, e aqueles que escrevem em nós, que passam a ser parte de nós mesmos, principalmente quando são parte dos nossos próprios medos, desejos e alma.

Tenho necessidade, de reafirmar tudo que desejo, tudo que quero que aconteça, não apenas a mim próprio mas também aos outros; tenho vontade de gritar, de chorar cada vez mais, para que uma estrela, cadente, passe, e quem sabe, alguém escute este grito surdo que tenho a devorar o meu interior.

Os meus sonhos, todos eles se tornaram realidade, todos eles aconteceram, e aos olhos de muitos, até mesmo aos meus, pareceram desvanecer-se em fumo, em mágoas e lágrimas derramadas e ainda por derramar. Os sonhos trouxeram os desejos, fizeram a criança ansiar como um homem, pela união daquilo que pretendia: um futuro, um abraço, um álbum que podesse não apenas espelhar o futuro, mas também fizesse recordar o passado, num sorriso, numa história contada por alguém a que eu tivesse abraçado.

Olhando agora para trás, esses desejos mantêm-se, foi-me oferecido algo muito maior daquilo que alguma vez imaginei que fosse acontecer; foi-me oferecido um vislumbre do que podemos ter, foram-me oferecidas memórias, recordações, mas principalmente, foi-me oferecido a maior de todas as prendas, esse significado daquilo que chamamos viver, tão puro, tão simples...

A mágoa, existe, a amargura do que se pensa não ir acontecer, existe, as palavras por dizer, existem, mas por detrás disso, existe algo ainda maior, algo que apareceu por detrás dessa Lua, e que cresceu, que continua a crescer maior que tudo...

É isso que tenho que recordar deste ano, é isso que tenho de abraçar deste ano, para que todas as lágrimas tenham um lugar neste álbum, passadas e por acontecer, pois, agora, sei qual o seu verdadeiro sabor...

Esperança.... É isso, que alimenta a caneta, é isso que vai dar forma às palavras, à coragem... A chuva não acabou, os momentos de desespero não acabaram, mas nunca irão acabar, fazem parte da história, são o poema que fazem a esperança nascer...

As histórias não têm fim... Têm sim, novos capítulos, esses sim, constroém aquilo a que um dia poderemos chamar de fim... Existe agora, a certeza de que algo irá acontecer, existe agora a noção dos próximos passos a dar, do início do próximo capítulo, depois, é simplesmente continuar a escrever, não de uma forma inconsciente, mas sim tendo sempre como tinta, a verdadeira cor dessas estrelas que brilham, bem cá dentro do coração, nesse imenso céu que é a nossa alma...

Bom Ano para todos!

sábado, dezembro 23, 2006

É Natal, é Natal, trá-lá-lá-lá-lá...

Pois é minha gente, é Natal... É incrível como o tempo passa tão depressa e nem damos por ele! Ainda ontem, parece que estavamos em pleno Verão, com tantas histórias por acontecer, tantas promessas de aventuras no ar...

Mas é assim mesmo que tudo se passa, se formos a ver, chegamos a uma altura da vida em que olhamos para nós mesmos e de repente dizemos que temos x anos. A juventude está realmente dentro de nós, e não no nosso corpo, pois, se virmos bem, a pessoa que estava cá dentro é exactamente a mesma, a consciência é a mesma.

Para quem tem filhos ou sobrinhos, como é o meu caso (sobrinhos, claro) esta é uma quadra para eles. Para nós serve como reencontro da família, de reencontro a algumas das memórias de infância, mas para eles, é agora que tudo acontece...

Sejamos, um pouco mais sorridentes, não tão intransigentes, e que nos divirtamos um pouco, pois, Natal, não são supermercados, nem apenas um dia, como alguém disse, mas sim, sempre que o queiramos.

É um cliché, mas daqueles, pensando bem, que é verdadeiro...

Feliz Natal para todos!

quarta-feira, dezembro 20, 2006

«Reaprender» a Caminhar

Querer voltar... Querer «recaminhar», como o fazer? Querer de novo, ou simplesmente desejar abafar algo?

Querer realmente ou simplesmente mascarar «algo», quando o que se deseja é «algo» completamente diferente?...

Como definimos o desejo de alguém, como o quantificamos, como admitimos na realidade, no dia-a-dia os nossos verdadeiros anseios, os nossos verdadeiros desejos, a nossa pura vontade em querer «algo»? Como admitimos quem de verdade somos, o que de verdade queremos?

Ao escrever, sinto a mais forte forte vontade em querer uma coisa, talvez deixar soltar as palavras de maneira a conseguir exprimir o que vai passando cá por dentro, com força, uma força ainda maior que aquela que une todas as fibras de meu corpo, saltando nesse rio imenso que corre pelo mundo em busca de uma foz, lançando-se na inquietude de amar uma coisa, de amar com desejo, de ir para onde o seu ser o faz querer ir...

Olhando ao meu redor, é uma «lei» que se vê em todas as pequenas coisas... Não existem máscaras, não existem disfarçes para o que se quer, para onde a vontade navega todos os segundos do dia... Porque é que nós conseguimos, não, o fazer? Porque é que complicamos tudo, como um condão, uma espécie de maldição lançada a nós, homens, por um Deus que nos faz todos os dias querer provar nosso coração...

Será esse o derradeiro teste, que nós homens, temos que superar? Será essa a barreira final para conseguir chegar mais além, para conseguirmos ir onde nascemos, onde nossos corações simplesmente são? Será esse o verdadeiro significado da vida, o verdadeiro mistério que está à volta de todas as coisas, de todos os seres?

Olhando de novo à minha volta, tudo é simples, tudo se rege pela necessidade de estar, de ser, sem complicações, sem questões nem perguntas constantes... Apenas como esse rio, fluindo naturalmente... Então, porque é que não o fazemos também? Não somos nós também uma parte deste mundo, das leis que nele existem? Porque não as obedecemos também e teimamos, ao questioná-las, afastarmos-nos da realidade?... Porque é que dificultamos uma tarefa tão simples como essa, que é tão puramente admitir o que queremos, a vontade que possuimos no nosso interior para fazer algo, para ir ao além, para conseguir crescer como a voz que está cá dentro, gritando esse grito, por vezes, surdo, onde abafamos os nossos corações...

É tudo tão simples, porque é que não o somos também? Ousar de deixar usar esta palavra que se transformou não somente numa ferramenta mas como uma arma contra nós próprios, que é a palavra porquê... Não pensem, alguns que estou a criticar abertamente a ciência, pois não é nada disso que pretendo... Faça-se uso da palavra e avance-se, mas não contra nós próprios, num sentido verdadeiramente metafísico da questão. O porquê trouxe-nos a capacidade de conseguir estar hoje a discutir exactamente este assunto, trouxe bem-estar e conforto às nossas vidas e ensinou-nos a manejar muito da física deste mundo, mas isso não é tudo, esse todo é uma união de duas faces, que, ao contrário do que muitos pensam, não são faces que se dissociem uma da outra; assim sendo, continuemos a usar o porquê, mas aprendendo melhor o seu uso, sem perder sentido de todas as questões que lhe estão inerentes. Vamos lançar todos esses artíficios e máscaras que elegantemente fazemos ondular ao caminhar todos os dias, vamos ganhar a coragem de admitir quem somos, de deixar nossa voz soltar quem é, e assim, talvez passemos o teste, talvez consigamos finalmente olhar para aquilo que queremos olhar, ir onde queremos alcançar, seja uma verdade, seja simplesmente um olhar, pois esse, também ele é uma das letras da palavra verdade...

Fique este pequeno olhar no ar...





Majestosas no Ar, Belas em Terra...





Sonho,

com galáxias... Mil mundos feitos do verde e do dourado que

enchem o sol a brilhar...



Sonho,

com aventuras, gargalhadas soltas ao ar, por um sorriso maior

que o luar...



Sonho,

em poder sonhar, numa cama feita da maior pureza que um anjo

consegue imaginar...



Sonho,

contigo... Em te abraçar, te carregar pelas marés de uma deusa

a chorar...



Sonho,

com o faról que me guia sempre que canto uma canção perdida

na voz do mundo a acordar...



Sonho,

com a terra viva que carregas dentro do teu olhar, o renascer da

vida no teu tocar, o poema dos sentidos em teu falar...



Sonho,

em partir... Correr ao teu lado, para que finalmente meu sono

possa descansar...



segunda-feira, novembro 27, 2006

Uma História Interminável...

Ilha das Berlengas







"Turn around

Look at what you see

In her face

The mirror of your dream

Make believe I'm everywhere

I'm hidden in the lines

And written on the pages

Is the answer to a neverending story



Reach the stars

Fly a fantasy

Dream a dream

And what you see will be

Rhymes that keep their secrets

Will unfold behind the clouds

And there upon the rainbow

Is the answer to a neverending story



Show no fear

For she may fade away

In your hands

The birth of a new day



Rhymes that keep their secrets

Will unfold behind the clouds

And there upon the rainbow

Is the answer to a neverending story

Neverending Story"



Never Ending Story, BSO do Filme Never Ending Story, baseado na Obra de Michael Ende com o mesmo nome







Esta é uma das histórias de infância que perduram na memória para sempre... Começou sorrateiramente com a música, peça fabulosa composta por Klaus Doldinger na versão alemã e Giorgio Moroder com letra de Keith Forsey e interpretação de Limahl, na versão americana, que tantas alegrias nos deu na música (refiro-me claro ao Giorgio Moroder, infelizmente o Limahl, que foi vocalista dos Kajagoogoo nunca foi além na carreira, seja a solo ou em grupo); devagarinho, espalhou-se pelas minhas memórias inundando-me por completo... Foi uma das primeiras músicas que comecei a tocar quando peguei pela primeira vez num sintetizador... Nunca mais esqueço a excitação que tive perante a visão de tal aparelho; o roçar lento dos dedos pelo teclado, o iniciar da exploração de todos os botões e funções que poderia tirar daquele instrumento fabuloso, são momentos que nunca se irão apagar das minhas recordações classificadas como momentos de prazer. Este tema, foi o inicio do explorar do instrumento... É um tema que se torna um bom parceiro de tal máquina. Mais tarde, para mim, veio o filme que acompanhou o tema... Quem não se lembra da imagem do pequeno Bastian a voar no Dragão da Sorte Falkor? Apesar disso, nada supera a obra fabulosa que Michael Ende colocou no papél, aliás, a obra cinematográfica está muito aquém... Leiam-na, é algo que vos ficará na memória, e acima de tudo, vos fará recordar o quão importante é sonhar e imaginar, ser criança para sempre...

sexta-feira, novembro 24, 2006

Sonhar...

Praia da Consolação, Peniche







Sonhar, libélula batendo asas ao medo de cair numa noite

sem luz para nos guiar...



Sonhar, desejo em ser borboleta, cores de infinito espraindo-se pelo mar,

espuma de sal, deslizando notas pelo olhar...



Sonhar, abraço de mãe, ninho onde podemos adormecer,

sem receio de não voltar...



Sonhar, cofre onde guardamos esse tesouro, nosso coração ainda batendo

o redemoinho que gira como farol, para nos guiar, sempre que o medo

ousa em regressar...



Sonhar, vida e morte, tempo planando pela eternidade,

colando memórias, esses pedaços de poema, brilhando como o luar...

quinta-feira, novembro 23, 2006

Adormecer...

Vila de Coruche, Anoitecer...







"Dorme meu menino a estrela d'alva

Já a procurei e não a vi

Se ela não vier de madrugada

Outra que eu souber será p'ra ti



Outra que eu souber na noite escura

Sobre o teu sorriso de encantar

Ouvirás cantando nas alturas

Trovas e cantigas de embalar



Trovas e cantigas muito belas

Afina a garganta meu cantor

Quando a luz se apaga nas janelas

Perde a estrela d'alva o seu fulgor



Perde a estrela d'alva pequenina

Se outra não vier para a render

Dorme qu'inda a noite é uma menina

Deixa-a vir também adormecer"



Canção de Embalar, Zeca Afonso







A música faz sonhar, mas faz também acalmar... Serenar, deixar o nosso corpo lentamente largar todas as tensões de um dia, de uma vida acumulando poeira e sujidade por todos os recôndidos da nossa alma...

Faz lavar o espirito, fá-lo embalar na suave dormência dos sentidos deixando a sua guarda baixar, aos pouquinhos cantando uma suave canção, uma doce melodia que pula pelas mãos da emoção...

Adormecer, mas antes visitar o Universo, pular em cima da almofada das nuvens, sorrir de mão dada com o vento... Adormecer os sentidos, relaxar a alma, deixá-la por momentos encontrar um ninho quentinho onde a capa pesada se solta finalmente, onde por fim consegue falar e sussurar sem ter medo de ousar, sem ter medo de cantar...

Adormecer, encontrar esse mundo nosso, grãos de areia fina indo e vindo, maré moldando uma cama, de penas voando pelas gotas de quem chora para adormecer, de quem por fim regressa a casa, onde choro e sorrisos, são as letras da canção...

Ouvir música e deixarmos-nos conduzir lentamente pelo nosso mundo, ouvindo uma voz doce e suave, que nos embala a mão, que nos enche o coração, quente melancolia sorrindo pelo meio da canção...

Triste sorriso, alegre emoção, assim é a calma de quem adormece embalado por uma voz de paixão...

Pois é, sermos alma e sangue, como dizia a grande poetiza Florbela Espanca, e encontrar isso numa noite de inverno... Terá talvez toda a lógica, procurar o ninho em tempos de desconforto, mas achá-lo envolvente como a chuva que trespassa o céu, como o frio que gela sem piedade, é algo que acontece como magia de verão, quente e doce como o algodão...

A beleza eterna de uma voz quente, embalando o nosso coração, aí reside a recordação, da casa que enche o nosso coração...

Viva a beleza eterna, esse ninho mãe, essa candura e doçura que é sermos embalados por uma voz feminina, por um anjo, quando a dor nos assola o olhar...

Viva esse resplendor eterno da alma, voando alto pela casa infinita que embala o coração, onde achamos a voz da emoção que canta a nossa canção, para adormecer nesse voo de uma vida descobrindo, criando e reluzindo como uma canção... Aconcheguem-se, olhem bem para o alto, e um sorriso irá vos trazer essa doce canção...

quarta-feira, novembro 22, 2006

Quando o Peito Dói...

Será Real ou Fantasia?...







"Que o Sol me ilumine tão-só o coração,

O vento me dissipe os cuidados e pranto,

Nesta Terra não conheço maior encanto

Que estar a caminho, na vastidão.



Depois da planura tomo alento

O Sol poderá queimar, o mar irá refrescar,

Para da vida desta Terra compartilhar

Mantenho o espírito sempre atento.



E assim, terei em cada dia renovado

Outros aliados, novas afeições,

Até que, sem pena, de todos os corações

E estrelas, possa ser amigo e convidado."



Canção de Viagem, Hermann Hesse, in Da Felicidade







Como podemos definir a intensidade de uma dor? Como lhe dar um nome, uma forma, um sentido que ao qual possamos perceber, de modo a conseguir lidar com ele? Como definir «algo» que não é definivel?

Tantas foram as vezes que aqui falei daquilo maior que existe não apenas à nossa volta, mas também dentro de nós... Tantas foram as vezes que tentei dar uma pequenina visão daquele olhar intenso que a nossa alma consegue lançar ao mundo, a Todos os Seres (onde nós somos uma pequenina peça do puzle) a tudo que nos rodeia, que nos faz voar pela imensidão desse horizonte intenso que todos os dias se esprai pelo universo, pelos sentidos eternos desse infinito...

Tantas foram as vezes que tentei fazer-vos recordar aqueles momentos que nos fazem «acordar» dessa nostalgia, desse sono profundo que nos ataca todos os dias nesta sociedade, perdida na confusão dos sentidos perdidos pelo ar, sem saberem para onde vão, de onde vieram...

Pois é... Tudo tem duas faces, não é? A Natureza é tão simples, tem uma lógica tão profunda e fácil de se entender... Não existe nada que não tenha duas faces... Assim é também o Amor... Custa entrar pelos caminhos mais «escuros» deste, mas é uma estrada necessária que precisamos de percorrer, na nossa imensa caminhada que temos pela frente...

O Amor é um raio de luz profundo, uma faca que rasga pelas entranhas do nosso ser, um pincél que vai colorindo a dor intensa que essa faca nos faz ter... Assim é o Amor... Duas faces, dois sentidos, que por mais estranho que possa parecer são exactamente a mesma moeda, o mesmo mundo onde mergulhamos por prazer, por necessidade, por querer alcançar o âmago daquilo que somos cá dentro, onde, com coragem nos deixamos naufragar...

O Amor assim, é.... Dor intensa que percorre este peito cheio da mais pura vontade em voar, da mais bela explosão de alegria que de tanta intensidade, nasce como chuva escorrendo suavemente pelas nossas faces...

O Amor assim é... Faz sorrir, faz chorar, mas faz-nos aprender, recordar o calor intenso com que todos nós nos deixamos nascer ao olhar para as pequenas Enormes alegrias ao virar da esquina...

Temos de saber amar a dor para querer saborear a alegria... É um facto inerente ao Amor, é algo tão simples como esse mar, belo ondulando na noite, soltando os perfumes da maresia ao vogar de uma Lua caprichosa, fazendo-nos sonhar...

Assim nascem os sonhos, assim amamos a vida, assim sabemos como recordar a imensidão, a vastidão, pois sofrendo, queremos amar, queremos sorrir...

Como definir isso? Não se pode... Apenas, abrir as portas ao olhar, à alma querendo voar, para que a moeda possa nascer, para que os sonhos possam vencer, crescendo, como esse mundo todos os dias o faz sem parar...

Amem, no verdadeiro sentido da palavra, e quando pensarem que o fim está perto, verão que é exactamente esse amor, ao abraçá-lo, ao olhar verdadeiramente para ele, que vos vai fazer voar ainda mais no horizonte.... Nunca se esqueçam disso...

Deixem as batidas dos vossos corações ser o ritmo da música ao acordarem, esse momento em que o dia nasce ao se deitar...

segunda-feira, novembro 20, 2006

Música no Coração...

Sejam as notas, os sonhos, como as flores ondulando ao vento... Jardins do Convento de Cristo, Tomar



É segunda-feira, ínicio de mais uma semana... O fim-de-semana passou quase à velocidade da luz... Sábado, uma noite agradável que começou com um bom jantar (apesar de ter achado a comida um pouco cozida demais) seguido de um concerto divino de música clássica, passou tão de repente que nem dei por ele... Veio o domingo, esse dia que todos nós olhamos com alguma nostalgia, pois representa o final do descanso, e um dia que tinha decidido passar naquele adormecer lento dos sentidos, dado por uma preguiça impressionantemente grande... Mas, para meu espanto, acabou por ser o dia mais agitado da semana... Não é que de repente me deu um ataque de fúria e resolvi fazer tudo que tinha por fazer em casa? Pois é... Arrumações, limpezas adiadas de dia em dia, de semana a semana, vieram finalmente à tona, deixando-me numa azáfama que nem me deu tempo para olhar para o relógio...

Apesar disso, veio também, um sentido maior, mais um sentimento do passado que voltou em força à minha consciência e aos meus sonhos. A noite de sábado foi a responsável por tal, para ser mais específico, a Orquestra Clássica do Centro. Recordei a magia intensa que é sonhar ao ouvir uma peça de música, o voar por um mundo, de repente, tornado realidade, onde os sentidos são raios de luz diluindo-se lentamente com as formas dos sentimentos... Que divino... É uma experiência fantástica, que aconselho a todos, deixarem-se levar pelas notas e sentimentos da música, imaginando mundos e pessoas de acordo com a melodia... Acreditem, torna-se numa experiência quase transcendente... Recordamos toda a essência da nossa alma, lavamos os nossos pecados e conseguimos ouvir a melodia da voz que nos guia para o verdadeiro caminho que o nosso coração quer seguir... Os sonhos, transformam-se em prenúncios, em imagens do nosso verdadeiro querer, o coração, deixa soltar toda a música que tem no seu interior...

Experimentem, começar devagarinho, fechando os olhos, deixando-se levarem pela melodia, e vão ver, que vão voar como nunca fizeram na vossa vida...

sexta-feira, novembro 17, 2006

Um Começo...





"[...] E, com a visão, vem a alegria, o amor, a poesia.

O homem que pela primeira vez na vida colhe uma pequena flor para ter junto de si enquanto trabalha fez um progresso no respeitante à sua alegria de viver. [...]"





Deixo-vos hoje com esta citação que retirei do livro "Da Felicidade" de entre da vastíssima obra de Hermann Hesse. Ela diz tudo...

quinta-feira, novembro 16, 2006

O Renascer da Criança...

"Urso", Zona Ribeirinha de Coimbra

Estamos a presenciar ao renascer dos sonhos de criança, aquela magia que todos temos quando, pequenos petizes e petizas, nos entregamos à magia de um sonho voando pela mão de um amigo eterno, um amigo que nos dá o conforto do ninho, que nos transmite a segurança de um lar e de um abraço onde podemos sempre retornar, quando tudo está mal... Quem não teve quando criança, um peluche, ou um outro objecto qualquer preferido, um amigo «imaginário» que nos servia de confessor aos nossos mais íntimos segredos e sonhos? Não faço esta pergunta às mulheres directamente, pois estas normalmente, e isto fora de qualquer imagem feita, estão mais inclinadas a este tipo de coisa, agora aos homens, faço-a directamente, pois estes por norma são mais «fechados» a admitir este lado mais sensível da sua natureza. Todos possuímos um lado sensível a este ponto, mas, nem sei porquê, talvez à conta desta sociedade e dos seus «tabus» recebemos uma carga que nos tenta dizer que existe determinados tipos de comportamento para não apenas, o sexo, mas também de acordo com o estrato social da pessoa. Obviamente, e vou dizer isto com a maior sinceridade possível, que este é um dos maiores disparates que constroém a nossa sociedade actual. Tudo isto passa, pela necessidade que todos temos de ter alguém, alguém em quem confiar, alguém a quem agarrar a mão numa noite de escuro, num dia de sol, para podermos «dizer», espalhar aquilo que é o nosso coração. Por aqui se vê uma prova daquilo que podemos ser e fazer, do bem que todos temos no nosso interior, da paz inerente à condição humana, ou deverei dizer, à «alma» humana? Por aqui, se vêem os alicerces do que constrói este mundo, da sempre presença de um “Amor” maior onde tudo acontece... É algo que vemos acontecer, e não me venham dizer que é apenas um mero factor biológico, o querer alguém, o querer amar alguém, seja este alguém na forma do que fôr, do que fazemos por ele, por todos os actos sãos cometidos em nome dele, de todas as loucuras que fazem os seres correr atrás dele, em nome dele. Vê-se na Natureza, todos os dias, todos os segundos deste mundo, deste tempo, a acontecer, quando algo nasce, quando algo se transforma em algo novo, ou simplesmente «renasce» das cinzas que era... Nos animais, nas plantas, nas «coisas» vê-se acontecer, a procura incessante da união... Pois, assim digo, meus amigos, o Amor, é o alicerce de tudo, deste mundo, deste universo, é a chave que todos procuram ao tentar procurar o cerne da verdade, o cerne do que realmente está por detrás de tudo... À uns anos atrás, constatei algo e disse em virtude disso uma frase que nunca esquecerei... “Os Sentimentos, são os verdadeiros Deuses...” A felicidade, uma das cores desse Amor, é algo que está nas mãos de todos e de tudo, o maior, o uno, é tão simples de se ser, de se atingir... Procurem nos vossos interiores, parem para apreciar o quadro maior, para «olhar» para a Natureza, para o dia-a-dia, e abram o coração, a vossa alma, a porta que vos trará a simplicidade desse acto maior acontecendo todos os dia mesmo à frente dos vossos narizes... Existe uma unidade, um eterno tempo correndo sem parar, existe a eternidade, existe o Amor que nunca morre, nem no Tempo, nem no Espaço... Como diz a canção, “Imagine”, e tudo sería tão belo... Está nas nossas mãos recordar isso, e olhar em frente, para continuar o que foi iniciado sem princípio nem fim...





Imagine there's no heaven

It's easy if you try No hell below us

Above us only sky

Imagine all the people

Living for today...



Imagine there's no countries

It isn't hard to do

Nothing to kill or die for

And no religion too

Imagine all the people

Living life in peace...



You may say I'm a dreamer

But I'm not the only one

I hope someday you'll join us

And the world will be as one



Imagine no possessions

I wonder if you can

No need for greed or hunger

A brotherhood of man

Imagine all the people

Sharing all the world...



You may say I'm a dreamer

But I'm not the only one

I hope someday you'll join us

And the world will live as one

Imagine, de John Lennon

quarta-feira, novembro 15, 2006

O prazer de simplesmente estar...

Hoje foi um dia diferente de todos os demais... Começou relativamente mal, acordei muito estremunhado, com aquela sensação horrível de nos sentirmos perdidos, sem norte para onde olhar. Com a tarde, alguns pensamentos resolveram assolar-me a mente, deixando-me num estado quase «catatónico». Foi complicado digerir alguns deles, fiquei mesmo em baixo, mas como sabem, a moeda tem sempre duas faces, e assim, vieram, ao jeito da cavalaria americana nos filmes de «cowboys» os bons pensamentos, os ensinamentos que tentaram salvar a tarde e o dia. Assim aconteceu, o dia acabou de maneira agradável. Escrevi algumas coisas, em jeito de poema e em jeito de simples pensamentos, daí sai uma idéia que quero partilhar aqui, mas que infelizmente por dificuldades técnicas, não será hoje. Fica para amanhã... Por ora, deixo mais um poema escrito à uns tempos atrás, mas que reflecte um dos ensinamentos que me salvaram o dia, e ao mesmo tempo, me fizeram recordar algo já apreendido à muito tempo...





Acordo,



embalado nos sentimentos de uma lágrima, escorrendo pelas faces

que o mundo nos mostra devagarinho, numa criança embalando

sua mãe num sonho brilhante ao luar...



Acordo,



com a energia que a vida lá fora carrega, chamando-nos suavemente ao vento, para uma tempestade sem fim a anunciar...



Salto e corro,



corro para os braços da vida deixando sua pena me guiar, levando-me ao sabor do seu amar... Componho a estrofe de um acorde, cantado pelas ninfas que guardam a dança do olhar...



Saio,



percorro no céu os contornos suaves da deusa que és libertando a vida em cada respirar...



Deixo-me ficar,



olho para ti, convido-te a comigo cantar, comigo sonhar, comigo

simplesmente deixar a vida estar...

segunda-feira, novembro 13, 2006

O Horizonte...

Praia da Ericeira

Ao longe...



Vê-se um escuro, negro como bréu, esse musgo agarrado

ao céu, brilhante como véu, cobrindo o olhar de quem

nele tenta penetrar...



Ao longe...



Vê-se sonho, pintado com palavras escuras, gotas de súor

escorrendo pelo desafio de quem tenta chorar...



Ao longe...



Vê-se o futuro, destino escondido por entre almofadas de

ar, tentando voar, como pássaros desejando amar...



Ao longe...



A canção mostra-nos o tempo, essa constante que connosco

carrega o mundo, numa tarde encruzilhada entre esse

desejo louco do olhar e os sentidos querendo-te tocar...

sexta-feira, novembro 10, 2006

O Carrocel do Tempo...

Carrocel, Jardim Zoológico de Lisboa

O tempo...



nome engraçado para um ser que constantemente nos toca,

nos leva ao sabor da tempestade da vida, correndo num convés

inundado com o sangue de uma alma perdida sem se achar...



nome engraçado para um barco que carrega os sentimentos,

construindo delicadamente as flores de um mundo ainda sem côr,

mas pronto a amar...



nome engraçado para a Via Láctea, para as estrelas que se unem

decidindo pacientemente os destinos a dar, para cada sonho que

ousa voar...



nome engraçado para a vida, para nossa alma, lançada ao nascer

numa corrida lenta, percorrendo as ruas, por vezes amargas, de

um destino, em busca da canção que pinta as flores do mundo

tentando apenas amar...

quinta-feira, novembro 09, 2006

A Simplicidade...

O Unicórnio, puro como o olhar, simples como o recordar...

Tremo com o sonho que carrego dentro de meu coração...



Anseio com a visão que meu olhar por vezes deixa, em suas

cores, num mundo se formar...



Respiro, com o desejo que voa lá no alto, num céu carregado

com as plumas do anjo, guiando a vida ao acordar...



Choro, na recordação dos sentidos, na lembrança do tempo,

na fotografia do passado, na palavra do futuro, na melodia

do momento esperando seus pais, no tempo ausente dos

sentimentos que a alma alimenta, dormindo à sombra da

estrela que é um desejo, pendurado na vida do mar, por nós

a carregar...



Rio, com a frescura do sentimento que paira no ar, com o

desejo da alegria em te recordar, com meus amigos amparando

meu olhar, com os sentidos brindando-me a cada toque que

minha alma leva no interior do sangue, correndo para me

alegrar...



Amo, por fim, a vida que somos, que podemos ser, deixando

para isso apenas o mundo nos tocar, nos fazer recordar a

união que o abraço dos sentimentos todos os dias acorda para

nos fazer navegar...